 Tive o prazer de conhecer Malva Gomes através do seu Armazém Literário, durante o II Concurso Literário dos Contistas, Cronistas e Poetas do Milênio. Um temperamento dócil, uma conversa cativante que a meu ver não combinavam com o seu nome. Cogitei que talvez seus pais gostassem de plantas, mas neste caso poderiam ter optado por "sempreviva" ou "beladona"... Tentando amenizar esta incoerência, passei a chamá-la "Bem-va".
Desde que o Armazém Literário, de quem era criadora e mantenedora, saiu do ar, só a encontro esporadicamente através de crônicas editadas pelo provedor que hospedava seu site. É claro que as leio todas. Dois textos em especial ("Sacudindo a poeira" e "Felicidades ou momentos felizes?") encorajaram-me a escrever-lhe.
Cara Bem-va
Sempre que aparece um texto assinado por você, pode ter certeza que eu o leio. Tenho vontade de responder todos, fazendo de cada um uma conversa (coisa que sei muito lhe agradar), mas nem sempre isto me é possivel. O penúltimo deixou-me preocupado. Fernando Pessoa dizia ser o poeta um fingidor... o seria tambám o articulista?! Seriam seus "causos" todos reais ou alguns são apenas frutos da fértil imaginação? Depois de ler o tal artigo eu o deveria classificar como "a dor que deveras sente..."? Por não ter nem a certeza nem (muito menos) palavras de conforto, nada disse. Veio o texto seguinte: "Felicidade ou momentos felizes?"... Eu pensei um pouco e cheguei a conclusão que "essa tal felicidade" é algo assim como um drops (Lembra do "Drops Dulcora, a delicia que o paladar adora"?). A gente pega de um em um e o deixa derreter na boca, movendo-o de um lado para o outro. A bala termina e o sabor perdura... Quando a boca vai ficando seca, desembrulhamos outra unidade e começa tudo de novo. São momentos felizes, sim! Nós os vamos esticando, esticando, e eles ficam tão próximos que dão a sensação de continuidade. Neste doce raciocinio, ficar feliz pelos outros seria receber a bala que nos oferecem... Fazer os outros felizes, seria ceder um de seus drops. O melhor de tudo é que não engordam, não elevam o açúcar do sangue, não estragam os dentes, e viciam... Viciam tanto que uma vez que a pessoa já os tenha provado, nunca mais se acostuma sem eles. Felizmente são fáceis de encontrar e há sempre quem se disponha a nos oferecer um outro em substituição ao que já se dissolveu. Isto posto, cara amiga, eu quero dizer que o baleiro daqui de casa anda sempre cheio. Espero que você não esteja passando por uma crise de abstinência, mas, se estiver... Você aceita um drops?
foto: © coisa.im.ufba.br/ ~carol/fotos/dulcora.jpg 
| |
|